Quanto o transporte de pessoas impacta no meio ambiente?

Nos últimos 60 anos, o PIB mundial cresceu também, ao ritmo de 3,5 % ao ano. E quanto mais dinheiro, maior demanda por bens e serviços, o que intensificou a produção, comércio e transporte de bens e pessoas, resultando em um contínuo e complexo fluxo logístico “entre” e “intra” as nações, diversificando e incrementando os modais de transporte. O mesmo não aconteceu com a eficiência energética de alguns destes modais, tornando-se uma preocupação nos últimos anos.

Dados do setor

Em 2004, o setor de transportes concentrava 26% de toda a energia utilizada no mundo, sendo que o consumo global do setor deve aumentar 2% ao ano, sendo que os veículos automotivos respondem por 23% dos gases que provocam o efeito estufa e 70% da poluição das cidades, segundo dados da ONU.

Segundo um estudo realizado pela NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, no Brasil, por exemplo, o setor de transportes é responsável por 52% da energia fóssil consumida, sendo que este é o setor que apresenta a menor porcentagem de energia renovável (apenas 12% do seu total).

Entre os diversos modos de transporte, o setor rodoviário absorve 92% da energia utilizada e é irrisória a participação dos setores ferroviário, hidroviário e aéreo. Do consumo de energia no transporte rodoviário, 54% correspondiam ao diesel, 23% à gasolina e 23% ao álcool no ano de 1989. Em 2005 esta divisão mudou para 54%, 29% e 13%, respectivamente, e 4% relativo ao gás natural, sendo que no último ano o consumo de álcool tem se equiparado ao de gasolina devido aos veículos flex.

Automóveis e petróleo

Duramente criticado, o setor de transporte de pessoas tem sido penalizado pelo uso inadequado do automóvel e por conta de sua baixa eficiência energética por queimar muito combustível e ser subutilizado, se comparado ao seu potencial de aproveitamento.

Estudos mostram que mais de três quartos da frota mundial de automóveis transportam apenas um ou no máximo dois indivíduos por viagem, representando um enorme desperdício de capacidade.

Segundo o professor John Sterman, estudos mostram que em 2050 serão 7,6 bilhões de veículos nas estradas e ruas e estima-se que neste ritmo, o setor de transportes, em nível global, consumiria 440 milhões de barris de petróleo/dia. “Atualmente, a produção mundial é de 82 milhões barris/dia e este número pode diminuir.  Também deve crescer as emissões de CO² globais, hoje de 28 bilhões de toneladas/ano, para 62 bilhões de toneladas, tornando o atual modelo mais insustentável ainda”, ressalta.

O petróleo está para atingir o seu pico de produção entre 2010 e 2020 (pico de Hubert) devendo então decair, tornando-se muito mais escasso e caro, sendo dedicada a utilização de outras tecnologias que não a de combustão em automóveis. Já é anunciado um possível grande gargalo quando mencionada a energia proveniente do petróleo. O segmento de transportes será fortemente impactado, caso não seja revista esta forte dependência do combustível fóssil.

Só no município de São Paulo, a frota de ônibus é de apenas 14.824 veículos (dados SP Trans) e transporta 246 milhões de passageiros/mês. A frota total de veículos é de 6,5 milhões, sendo que os automóveis são pouco mais de 4,8 milhões.

Deslocar-se de automóvel nas vias da cidade tornou-se um árduo sacrifício. A velocidade média é de 25 km/hora pela manhã e à tarde cai para 15. Para se ter uma ideia, percorrer a marginal do Tietê, que possui 25 km de extensão, no período da tarde, são necessários longos 90 minutos.

A lentidão dos congestionamentos leva o veículo a consumir mais combustível e outros insumos como pneu, óleo e depreciação resultam em custos para o proprietário. Pesquisas indicam que nas grandes cidades boa parte da população perde de 2 a 3 horas por dia em deslocamentos entre casa-trabalho-casa. Um período de tempo improdutivo e oneroso.

Modelos de acessibilidade

A adoção de modelos inovadores e mais eficazes para transportar pessoas nos grandes centros urbanos tornou-se imperativo e nos leva a reavaliar o que desejamos e sobretudo, facilitar ao máximo o modo como acessamos aquilo que desejamos. E neste esforço de conseguir o “objeto” desejado, o nosso anseio original se materializa na busca pela melhor acessibilidade possível. Resta-nos, então, a tarefa de tentar otimizar o período e o modo de deslocamento de um ponto ao outro.

Esta é a questão-chave. Como podemos acessar o que desejamos com o menor esforço e com menor custo econômico e socioambiental?

Este é um novo tema que merece atenção e planejamento às políticas públicas envolvidas. Não perca a continuação desta discussão no dia 8 de dezembro no artigo: Ônibus, metrô ou veículos particulares?